E em meus sonhos
,
eu corro...
As figuras por de trás de mim se destorcem
Um enigma de cores que deixo para trás
Meu coração acelera mais minha voz não sai
Paro, repentinamente...
Respiro,
Respiro,
Respiro...ofegante
Minhas mãos buscam apoio em meus joelhos
E é como se eu não mais me contesse em mim
Sou um frasco pequeno por onde o liquido escorre
Há sentimento demais
Há vontades demais
E um grito engasgado
Preso, guardado, amarrado em minhas cordas vocais.
Respiro fundo e caminho.
Sou outra vez mais um frasco em meio a estante
Mais uma na multidão.
Epígrafe
A neblina não me deixava ver com clareza mais eu podia sentir...
Sentir o cheiro, o perfume, o calor que emanava do corpo dele
Tudo evindênciava sua presença...
Apressei o passo, mudando levemente de direção
O encontro não era desejado, por nenhuma das partes
E ele deixara isso bem claro.
Claro, porém inevitável.
Senti o toque brusco do esbarrão de ombros
Esperei o olhar que queimaria meu ser
como se eu tivesse culpa pelo encontro indesejado.
Esperei em vão,
O que recebi em lugar disso, no entando
Deixou-me atordoada.
Como ele podia sorrir?
Um sorriso doce e amável,
como de quem se desculpa
que nada condizia com a sensação brusca do esbarrar.
O olhar que mantinha a cordialidade do sorriso
e não mais que isso.
Um ultimo momento, um adeus antes do que estava por vir.
Sentir o cheiro, o perfume, o calor que emanava do corpo dele
Tudo evindênciava sua presença...
Apressei o passo, mudando levemente de direção
O encontro não era desejado, por nenhuma das partes
E ele deixara isso bem claro.
Claro, porém inevitável.
Senti o toque brusco do esbarrão de ombros
Esperei o olhar que queimaria meu ser
como se eu tivesse culpa pelo encontro indesejado.
Esperei em vão,
O que recebi em lugar disso, no entando
Deixou-me atordoada.
Como ele podia sorrir?
Um sorriso doce e amável,
como de quem se desculpa
que nada condizia com a sensação brusca do esbarrar.
O olhar que mantinha a cordialidade do sorriso
e não mais que isso.
Um ultimo momento, um adeus antes do que estava por vir.
Depoimento
O silêncio já me pareceu algo fora do normal.
As luzes apagadas, o rádio desligado, o silêncio ensurdecedor denunciava sua ausência.
Não estava ali.
Atentei-me melhor, vi uma pequena claridade que vinha de seu quarto.
Aproximei-me sentindo um misto de esperança e medo que fazia meu coração disparar, minha respiração tornara-se tão irregular quanto a de alguém que por pouco não se afogara.
Ela não estava lá.
Examinei o quarto com mais atenção, tudo em seu lugar, sua bagunça amável e quase organizada mais havia algo de diferente... Me aproximei da escrivaninha fracamente iluminada pelo antigo abajour.
Um bilhete. Amassado denunciando a indecisão dela, típica e encantadora.
Não sabia porque, mais eu não queria me aproximar daquele bilhete, como se aquela fosse a arma que colocaria fim a minha existência.
Li as palavras uma de cada vez, quase relutante em acreditar. Fechei os olhos com força desejando que elas sumissem num passe de mágica, elas ainda estavam lá, não havia escapatória.
"Não há mais esperança, adeus."
As luzes apagadas, o rádio desligado, o silêncio ensurdecedor denunciava sua ausência.
Não estava ali.
Atentei-me melhor, vi uma pequena claridade que vinha de seu quarto.
Aproximei-me sentindo um misto de esperança e medo que fazia meu coração disparar, minha respiração tornara-se tão irregular quanto a de alguém que por pouco não se afogara.
Ela não estava lá.
Examinei o quarto com mais atenção, tudo em seu lugar, sua bagunça amável e quase organizada mais havia algo de diferente... Me aproximei da escrivaninha fracamente iluminada pelo antigo abajour.
Um bilhete. Amassado denunciando a indecisão dela, típica e encantadora.
Não sabia porque, mais eu não queria me aproximar daquele bilhete, como se aquela fosse a arma que colocaria fim a minha existência.
Li as palavras uma de cada vez, quase relutante em acreditar. Fechei os olhos com força desejando que elas sumissem num passe de mágica, elas ainda estavam lá, não havia escapatória.
"Não há mais esperança, adeus."
O trágico do julgamento comum
Eu vejo faces,
Eu crio rostos
Recrio e reinvento
Digo frases sem sentido
Julgo, sinto e revejo
Quem é você afinal?
Na verdade, não importa
Eu vou definir que você é
Vou ignorar a verdade
Deletar seus sentimentos
Desconsiderar sua essência
E fazer disso o seu realmente seu
Deixe-me dizer que realmente é você
Porque eu sou a humanidade e sou eu quem define
Quem você realmente é
Seus atos e pensamentos caem ao chão
Enquanto meu sorriso vencedor destrói o que você
um dia sonhou ser.
Eu crio rostos
Recrio e reinvento
Digo frases sem sentido
Julgo, sinto e revejo
Quem é você afinal?
Na verdade, não importa
Eu vou definir que você é
Vou ignorar a verdade
Deletar seus sentimentos
Desconsiderar sua essência
E fazer disso o seu realmente seu
Deixe-me dizer que realmente é você
Porque eu sou a humanidade e sou eu quem define
Quem você realmente é
Seus atos e pensamentos caem ao chão
Enquanto meu sorriso vencedor destrói o que você
um dia sonhou ser.
Universo Desconexo
Inventei mais um dia pra pensar em você
Num universo paralelo pois jurei esquecer
Criei razões mirabolates para o reecontro
Das quais jamais ousarei falar
Sei quem sou
O ponto de interrogação
A corda bamba
O sim que não retira o não
O acaso
O sinal fechado...
Um erro vivido sem futuro
Nem passado
Num universo paralelo
Sem segundos, nem minutos
Apenas horas
Que passam agora
Sem fim.

Num universo paralelo pois jurei esquecer
Criei razões mirabolates para o reecontro
Das quais jamais ousarei falar
Sei quem sou
O ponto de interrogação
A corda bamba
O sim que não retira o não
O acaso
O sinal fechado...
Um erro vivido sem futuro
Nem passado
Num universo paralelo
Sem segundos, nem minutos
Apenas horas
Que passam agora
Sem fim.

O onibus
Sento-me no lugar de costume.
O onibus me parece mais vazio do que o comum, embora eu preferisse estar sozinho nesse momento.
A figura a três bancos a minha frente, um dos poucos ocupados deste lado do onibus, parece-me inquieta, sua figura inspira-me curiosidade. Observo melhor.
É um senhor que já trás os cabelos todos brancos, seu óculos redondo rebusca-lhe ainda mais tempos antigos, veste um casaco verde musgo com pequenas listras vermelhas, afastadas de mais para que eu o considere xadrez.
O velho tosse, por algum motivo inexistente desvio o olhar, como se eu tivesse sido descoberto em minha observação, um intruso naquele momento tão particular.
A tosse passa e eu, já não mais preocupado com os problemas do dia nem mesmo com a forte dor de cabeça causada pelo excesso de horas no computador do trabalho, volto a mergulhar naquele universo que não é meu. Sou um intruso, um bisbilhoteiro sem direitos, um espião.
Reflito um pouco mais sobre a sua figura, não parece vir do trabalho, não tem o ar cansado dos que o fazem e o horário não é muito comum, não parece ter ido visitar nem ao médico, não trás exames debaixo do braço nem o sorriso de um reencontro. O que será que o deixara agitado naquele momento? Qual será o motivo da tosse? Estaria doente? Muito doente?
O onibus para, meu alvo observado levanta-se calmamente, ao passar ao meu lado faz um aceno com a cabeça com um tom de adeus. Desce do onibus.
Continuo meu trajeto, imóvel, ainda especulando a figura que agora não me sai da mente.
Nada mais posso fazer se não esquecer.
Meu ponto, eu desço. Adeus.
O onibus me parece mais vazio do que o comum, embora eu preferisse estar sozinho nesse momento.
A figura a três bancos a minha frente, um dos poucos ocupados deste lado do onibus, parece-me inquieta, sua figura inspira-me curiosidade. Observo melhor.
É um senhor que já trás os cabelos todos brancos, seu óculos redondo rebusca-lhe ainda mais tempos antigos, veste um casaco verde musgo com pequenas listras vermelhas, afastadas de mais para que eu o considere xadrez.
O velho tosse, por algum motivo inexistente desvio o olhar, como se eu tivesse sido descoberto em minha observação, um intruso naquele momento tão particular.
A tosse passa e eu, já não mais preocupado com os problemas do dia nem mesmo com a forte dor de cabeça causada pelo excesso de horas no computador do trabalho, volto a mergulhar naquele universo que não é meu. Sou um intruso, um bisbilhoteiro sem direitos, um espião.
Reflito um pouco mais sobre a sua figura, não parece vir do trabalho, não tem o ar cansado dos que o fazem e o horário não é muito comum, não parece ter ido visitar nem ao médico, não trás exames debaixo do braço nem o sorriso de um reencontro. O que será que o deixara agitado naquele momento? Qual será o motivo da tosse? Estaria doente? Muito doente?
O onibus para, meu alvo observado levanta-se calmamente, ao passar ao meu lado faz um aceno com a cabeça com um tom de adeus. Desce do onibus.
Continuo meu trajeto, imóvel, ainda especulando a figura que agora não me sai da mente.
Nada mais posso fazer se não esquecer.
Meu ponto, eu desço. Adeus.
O conto do fantasma noturno
Ando pela rua escura.
Vejo-a ao longe. Sua figura aguça minha curiosidade. Quem é ela?
Já é tarde da noite, além de mim, são poucos e de aparência duvidosa aqueles que se ariscam a caminhar na rua quase deserta e mal iluminada. Ela porém, parece passear por entre os cruzamentos vazios de carros e, ao mesmo tempo, sua figura atemporal faz com que pareça perdida em meio a imensidão da rua já quase vazia.
Sua presença perturba-me de tal forma que não consigo deixar de segui-la com o olhar, de longe, sem jamais perturbar seu passeio noturno. Reparo agora em sua figura, minha mente já perturbada pelo álcool me faz vê-la como uma figura de um tempo mais antigo, algo entorno do século XIX talvez, embora seu jeans escuro aparentemente rasgado nos joelhos e seu cabelo que, embora comprido, demonstra bem um estilo comtemporaneo provem o contrário.
Está agora iluminada sob a luz de um dos poucos postes que ainda funcionam, mesmo com essa escassa iluminação reparo em sua pele branca como se jamais tivesse sido tocada pelo sol, seus olhos, mesmo distantes e mal iluminados parecem emanar medo.
Inquieto-me.
Meus passos tornam-se mais rápidos, quero perguntar-lhe quem é e o que faz tão tarde na rua. Dizer-lhe que sua figura frágil inquietou-me. Mas ela agora corre, como se pressentisse meus movimentos, entra numa casa e desaparece na noite.
A rua volta ao seu vazio original, pergunto-me se meu delírio foi compartilhado por mais alguma das figuras que não me inspiram confiança na rua ou se fora apenas mais um delírio.
Não sei por onde anda a pequena que vive na noite, mais sua figura ainda atormenta a minha existência e provavelmente a de qualquer um que um dia possa vê-la em seu passeio pela noite.
Vejo-a ao longe. Sua figura aguça minha curiosidade. Quem é ela?
Já é tarde da noite, além de mim, são poucos e de aparência duvidosa aqueles que se ariscam a caminhar na rua quase deserta e mal iluminada. Ela porém, parece passear por entre os cruzamentos vazios de carros e, ao mesmo tempo, sua figura atemporal faz com que pareça perdida em meio a imensidão da rua já quase vazia.
Sua presença perturba-me de tal forma que não consigo deixar de segui-la com o olhar, de longe, sem jamais perturbar seu passeio noturno. Reparo agora em sua figura, minha mente já perturbada pelo álcool me faz vê-la como uma figura de um tempo mais antigo, algo entorno do século XIX talvez, embora seu jeans escuro aparentemente rasgado nos joelhos e seu cabelo que, embora comprido, demonstra bem um estilo comtemporaneo provem o contrário.
Está agora iluminada sob a luz de um dos poucos postes que ainda funcionam, mesmo com essa escassa iluminação reparo em sua pele branca como se jamais tivesse sido tocada pelo sol, seus olhos, mesmo distantes e mal iluminados parecem emanar medo.
Inquieto-me.
Meus passos tornam-se mais rápidos, quero perguntar-lhe quem é e o que faz tão tarde na rua. Dizer-lhe que sua figura frágil inquietou-me. Mas ela agora corre, como se pressentisse meus movimentos, entra numa casa e desaparece na noite.
A rua volta ao seu vazio original, pergunto-me se meu delírio foi compartilhado por mais alguma das figuras que não me inspiram confiança na rua ou se fora apenas mais um delírio.
Não sei por onde anda a pequena que vive na noite, mais sua figura ainda atormenta a minha existência e provavelmente a de qualquer um que um dia possa vê-la em seu passeio pela noite.
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