O retorno

E, no meio da noite
por entre neblinas e cobertores
Algo em mim ressurge.

Algo a muito esquecido
O qual eu, erroniamente, 
julguei apagado em mim
Como o resto de chama que se vê na vela
O qual só se nota a presença pelo restigio da fumaça

Assim retornou,
Tornou-se forte,
Mais uma vez gritou
E agora eu volto a compreender

Bem-vinda de de volta anjo das sombras

Questão de tempo


Acho que eu sei no que você está pensando...
muito mais do que as palavras dizem não é mesmo?
Eu sei porque vejo nos seus olhos
Você está pensando em dizer
“pedir desculpas outra vez não vai adiantar
Eu sei que você vai errar de novo e de novo,
Mais vou continuar apostando em você
Pelo menos por enquanto”
Mais você nem sempre vê
Que eu hajo por impulso
Que as palavras fluem sem que eu perceba
E eu só percebo depois

Eu fecho os olhos para que as lágrimas não corram
E eu sei, que neste momento, você acha que eu sou arrogante
Eu sorrio para que você não perceba
Você não sabe do que os sonhos realmente são feitos.

Perdoa-meus erros,
Mais sempre volta ao inicio...
Perdoas então ou guarda as provas?

Vejo uma bomba relógio se formando
Mais o botão vermelho chama por mim
E eu lhe acaricio com a mão.

Breve

No momento  em que o "eu te amo" virou virgula
eu tive a certeza, certeza do momento exato
em que eu realmente te perdi.

Angustia

E em meus sonhos
, eu corro...
 As figuras por de trás de mim se destorcem
 Um enigma de cores que deixo para trás
 Meu coração acelera mais minha voz não sai 
 Paro, repentinamente... 


Respiro, 
Respiro,
Respiro...ofegante
Minhas mãos buscam apoio em meus joelhos 
E é como se eu não mais me contesse em mim 


Sou um frasco pequeno por onde o liquido escorre 
 Há sentimento demais Há vontades demais 
E um grito engasgado 
Preso, guardado, amarrado em minhas cordas vocais. 
 Respiro fundo e caminho. 


Sou outra vez mais um frasco em meio a estante
 Mais uma na multidão.












Epígrafe

A neblina não me deixava ver com clareza mais eu podia sentir...
Sentir o cheiro, o perfume, o calor que emanava do corpo dele
Tudo evindênciava sua presença...

Apressei o passo, mudando levemente de direção
O encontro não era desejado, por nenhuma das partes
E ele deixara isso bem claro.

Claro, porém inevitável.
Senti o toque brusco do esbarrão de ombros
Esperei o olhar que queimaria meu ser
como se eu tivesse culpa pelo encontro indesejado.

Esperei em vão,
O que recebi em lugar disso, no entando
Deixou-me atordoada.
Como ele podia sorrir?

Um sorriso doce e amável,
como de quem se desculpa
que nada condizia com a sensação brusca do esbarrar.
O olhar que mantinha a cordialidade do sorriso
e não mais que isso.

Um ultimo momento, um adeus antes do que estava por vir.

Depoimento

O silêncio já me pareceu algo fora do normal.
As luzes apagadas, o rádio desligado, o silêncio ensurdecedor denunciava sua ausência.
Não estava ali.
Atentei-me melhor, vi uma pequena claridade que vinha de seu quarto.
Aproximei-me sentindo um misto de esperança e medo que fazia meu coração disparar, minha respiração tornara-se tão irregular quanto a de alguém que por pouco não se afogara.
Ela não estava lá.
Examinei o quarto com mais atenção, tudo em seu lugar, sua bagunça amável e quase organizada mais havia algo de diferente... Me aproximei da escrivaninha fracamente iluminada pelo antigo abajour.
Um bilhete. Amassado denunciando a indecisão dela, típica e encantadora.
Não sabia porque, mais eu não queria me aproximar daquele bilhete, como se aquela fosse a arma que colocaria fim a minha existência.
Li as palavras uma de cada vez, quase relutante em acreditar. Fechei os olhos com força desejando que elas sumissem num passe de mágica, elas ainda estavam lá, não havia escapatória.
"Não há mais esperança, adeus."